II
Seminario sobre o Projeto de Lei do estatuto da Pessoa
com Deficiência
Local: Auditório do Ministério Público do Estado da Bahia
(MP/BA)
Data: 08/11/2007
Início dos Trabalhos
Uma exaltação aos direitos humanos, à igualdade e à democracia
e um passo importante na construção de um documento que pode
promover melhorias significativas na vida de milhões de brasileiros.
Foi desta forma que diversas autoridades e representantes de
organizações sociais, de relevância local e nacional, definiram
o II Seminário sobre o Projeto de Lei do Estatuto da Pessoa
com Deficiência, promovido pelo Ministério Público Estadual
da Bahia
durante o dia 08/11/2007, no auditório da instituição. “Direitos
humanos são a afirmação da vida, da igualdade na diversidade,
nas diferenças, em todas as cores, idéias e orientações”, explicou,
em seu pronunciamento, o Ministro Paulo de Tarso Vannuchi,
da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Utilizando os ideais
da Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade),
ele ressaltou que “a liberdade é a vocação inarredável dos
direitos
humanos; ela não pode existir sem o pressuposto básico da igualdade”,
e que “a causa que nos reúne hoje é sobre esta conquista que
ainda não está concluída no Brasil”. Elogiando a iniciativa
do evento, do qual participa pelo segundo ano consecutivo,
o Ministro
disse que “o Ministério Público da Bahia é um exemplo de engajamento
nas causas de defesa dos direitos humanos”, e parabenizou a
Promotora de Justiça Silvana Almeida, que milita na defesa
das pessoas
com deficiência, pelo empenho em organizar o Seminário.
O Projeto de Lei para criação do Estatuto da Pessoa com Deficiência,
apresentado originalmente pelo então Deputado Federal e hoje
Senador da República Paulo Paim em 2000, foi apreciado pelo
Senado Federal, sofreu modificações e voltou para apreciação
da Câmara
de Deputados. Relator do Projeto no Senado Federal, o Senador
da República Flávio Arns, que é pai de uma pessoa com deficiência
intelectual, ressaltou que o texto do projeto foi submetido
a diversas instituições representativas, inclusive ao Ministério
Público, em várias reuniões e audiências públicas, e que foi
preciso muito cuidado com as expressões utilizadas porque “as
pessoas com deficiência necessitam do aprimoramento nas leis
e, mais que isso, elas precisam ter os seus direitos transformados
em realidade”. O Deputado Federal Celso Russomano, Relator
do
projeto na Câmara dos Deputados, acrescentou que foi preciso
impor situações no Estatuto, como a previsão de multas e penas
para quem não respeitar os direitos das pessoas com deficiência,
como, por
exemplo, a ocupação dos lugares e vagas destinadas a deficientes,
a discriminação e a recusa, sem justa causa, de emprego ou
trabalho em razão da deficiência. Representando o Ministro
das Cidades
Márcio Fortes, o Secretário Nacional de Transportes e Mobilidade
Urbana, Luiz Carlos Bueno, por sua vez, explicou que tão importante
quanto adequar espaços físicos às necessidades dos deficientes
é construir uma nova visão na sociedade que considere o acesso
universal como questão de igualdade.
Recomendação
Ainda durante a abertura do evento, o Procurador-Geral de Justiça
(PGJ) Lidivaldo Britto assinou uma recomendação destinada a
todos os Promotores de Justiça do MP baiano para que eles,
no prazo
de 30 dias, tomem providências para a total adaptação e implementação
da acessibilidade arquitetônica e urbanística nas principais
ruas, logradouros e espaços públicos dos Municípios baianos,
além de prédios públicos, hospitais e estabelecimentos de ensino,
bancários e comerciais, observando-se as normas de acessibilidade
da ABNT, de modo a possibilitar às pessoas com deficiência
uma vida independente, auto-suficiência e integração social.
Também foi assinado pelo PGJ, em conjunto com o Ministro de
Direitos Humanos, um termo de adesão à Campanha “Acessibilidade
Já: Siga
esta Idéia”, lançada pelo Conselho Nacional dos Direitos da
Pessoa Portadora de Deficiência (CONADE). A campanha recebeu
o apoio
do cantor e compositor baiano Luiz Caldas, que expressou seu
desejo por uma sociedade mais justa e igualitária, e se comprometeu
em orientar os artistas a abraçar a causa e divulgar o Estatuto
da Pessoa com Deficiência. “Precisamos do apoio de todos, pois
o deficiente paga imposto como nós, sem receber o devido retorno,
relativo às suas necessidades básicas”, protestou. Concordando,
em parte, com a afirmativa, a Superintendente da Coordenadoria
Nacional para a Integração da Pessoa com Deficiência (CORDE),
Dra. Izabel Maior, que possui deficiência, disse que é preciso
saber o que é que as pessoas com deficiência precisam, e “o
Ministério Público tem sido um dos núcleos de divulgação de
informações
sobre a deficiência”.
Também participaram do evento, que teve palestras durante toda
a tarde, o bispo auxiliar Dom Josafá da Silva, representando
o Arcebispo Primaz do Brasil, Cardeal Dom Geraldo Magella;
o Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Estadual Marcelo
Nilo; a Desembargadora Ivete Caldas, representando o Presidente
do Tribunal de Justiça da Bahia, Desembargador Sinésio Cabral
Filho; a Secretária Municipal de Ação Social, Maria das Dores
Loiola, representando o Prefeito de Salvador, João Henrique
Carneiro;
o Procurador do Trabalho, Manoel Jorge e Silva, representando
a Procuradora-Chefe do MP do Trabalho, Sandra Marlicy Faustino;
a Conselheira do CONADE, Regina Atalla, representando a Secretária
de Justiça Marília Muricy; a Presidente da Associação do MP
(AMPEB), Norma Angélica Cavalcanti; o Diretor da Fundação Escola
Superior
do MP (FESMIP), Nivaldo Aquino; e a Coordenadora do Centro
de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça da Cidadania
(CAOCI),
Procuradora de Justiça Marta Karaoglan. Durante o evento, ficaram
em exposição, no hall da sede do MP, pinturas à óleo sobre
tela de autoria de pessoas com deficiência que participam de
uma oficina
promovida pela FESMIP e orientada pela coordenadora do CAOCI.
Nossa Participação
A Associação Brasileira dos Deficientes
Portadores de Visão Monocular – ABDPVM participou e acompanhou
todos os trabalhos do referido evento, contando com a colaboração
de todas as pessoas com visão monocular que contribuíram
direta ou indiretamente para a consecução do fim primordial
de nossa entidade, qual seja: ao reconhecimento legal da
visão monocular como deficiência visual no País.
Os integrantes Émerson Oliveira (Salvador/BA)
e Elder Soares (Maceió/AL) representaram a ABDPVM. Este último,
importante ressaltar, viajou ao local do evento com os custos
pagos pela Associação, conforme consta na prestação de contas
realizada aos integrantes da ABDPVM e disponível no site
da Associação. Bem assim, levou consigo 930(novecentos e
trinta) panfletos, em 3(três) modelos e textos diferentes
acerca da visão monocular e ações da ABDPVM em prol das pessoas
com deficiência. Uma faixa e um banner também foram confeccionados,
além de 12(doze) memoriais.
Ao chegar a Salvador, Elder Soares
se dirigiu ao local do evento, sendo o primeiro participante
a entrar no auditório do MP/BA. E logo depois, encontrando
Émerson Oliveira, os integrantes da ABDPVM alertaram ao Cerimonial
acerca da existência de panfletos, faixa e banner, além de
memoriais da Associação, momento em que foram inicialmente
proibidos de distribuí-los e anexá-los, sendo, logo depois,
após bastante insistência, autorizados pelo Cerimonial a
organizar todo o material e distribuir no auditório.
Cada participante de um total de mais
de 300(trezentos), ao fazer o credenciamento inicial, recebeu
3(três) panfletos e teve a oportunidade de prestigiar e ler
o banner acerca da ABDPVM, exposto logo na entrada do auditório.
Muitos participantes procuraram os integrantes para tirar
dúvidas, conhecer e propor parcerias com nossa Associação.
Os referidos contatos estão em andamento.
Ao iniciar o evento, Elder Soares
se dirigiu à Dra. Izabel Maior (CORDE) com o intuito de agendar
uma conversa posterior para tratar de assuntos relativos
à visão monocular, o que de plano foi aceito, não obstante
a impossibilidade de haver o referido diálogo, haja vista
que a representante da CORDE não foi encontrada após o evento,
conforme será relatado.
As autoridades presentes falaram acerca
da importância do Estatuto da Pessoa com Deficiência, avanços
e retrocessos em face da legislação atual. Os Relatores do
Projeto de Lei, Deputado Federal Celso Russomano e Senador
da República Flávio Arns se mostraram comprometidos com a
causa, preocupados com a situação das pessoas com deficiência
no País, sustentando a elogiável medida de se ter um Estatuto.
De se registrar que tanto a CORDE
como o CONADE se manifestaram contrários à aprovação do Estatuto
da Pessoa com Deficiência alegando que se faz necessário
ratificar a Convenção da ONU sobre Pessoas com Deficiência,
com quorum de Emenda Constitucional, e logo depois, decidir
ou não acerca da necessidade de um Estatuto. Os Relatores,
apesar de favoráveis à ratificação como Emenda Constitucional,
não admitiram a paralisação do processo legislativo do Estatuto,
indicando que o texto precisa ser melhorado para se adequar
às disposições da Convenção da ONU. Quaisquer vícios, no
entender dos Relatores, seriam sanáveis e sem prejuízo à
existência do próprio Estatuto.
Diversas autoridades falaram, não
sendo permitidas as pessoas com deficiência e membros de
entidades usarem da palavra para sustentar as posições e
reivindicações das Associações, ONGs, Entidades e congêneres.
Salvo casos isolados, durante o evento foi facultada a palavra
a algumas pessoas, previamente indicadas, em especial, pelo
Ministério Público. Poemas, quadros, pinturas, mas em nenhum
momento se abriram oportunidades para discussões sobre o
Projeto de Lei.
Tal justificativa, de acordo com o
Cerimonial, ocorreu em virtude do cronograma do evento. Os
debates seriam no período da tarde. Porém, as autoridades
presentes não ficariam para o mesmo – como de fato não ficaram
– devido a outros compromissos e eventos, o que a nosso ver
foi lamentável e desrespeitoso.
O Procurador-Geral de Justiça (PGJ)
Lidivaldo Britto, ao tomar a palavra para a finalização dos
trabalhos da manhã, foi surpreendido pelos integrantes da
ABDPVM, que chamando a responsabilidade para si, requereram
a palavra, o que foi negado pelo PGJ, sob o argumento exposto
anteriormente: Debates apenas pela manhã.
Insistentemente, os integrantes da
ABDPVM pediram novamente, o que foi acatado pelo PGJ, em
especial, a nosso sentir, tendo em vista a transmissão do
evento ao vivo pela TV da Assembléia Legislativa do Estado
da Bahia.
Dada a palavra à ABDPVM, após acerto firmado entre os integrantes
de quem iria falar, Elder Soares não se conformou em falar
na parte de baixo do auditório, subindo ao palco e defendendo
a inclusão da visão monocular no Estatuto da Pessoa com
Deficiência e outros Projetos de Lei em tramitação no Congresso
Nacional, durante cerca de 15(quinze) minutos. Foram expostas
as questões médicas e científicas da visão monocular, bem
como profissionais, além da incoerência jurídica no tratamento
dado pelo Decreto Federal n°. 3.298/99.
De início, Elder Soares tratou de
mostrar que o Programa lançando pelo Presidente da República
em 26 de setembro de 2007, com investimentos de R$ 2,4 (dois
bilhões e 400 milhões de reais) na ampliação de programas
em educação, saúde, habitação, transporte acessível e na
acessibilidade das pessoas com deficiência, priorizando as
que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), as
que estão no programa Bolsa Família, os alunos da educação
básica e as que apresentam deficiências decorrentes da hanseníase
e os idosos, tão proclamado na falação da Dra. Izabel Maior
(CORDE), não beneficia pessoas com visão monocular que também
precisam de próteses oculares e tantos outros benefícios.
Houve resistência da Dra. Izabel Maior
(CORDE) tentando justificar que as pessoas com visão monocular
poderiam participar de linhas de financiamento de próteses
oculares, mesmo sem estarem amparadas pelo Estatuto. Esse
argumento foi refutado por Elder Soares, pois se atualmente
a Caixa Econômica Federal (CEF) se baseia no Decreto Federal
nº. 3.298/99 para negar benefícios desse tipo aos monoculares,
não seria diferente com a retirada da visão monocular do
Estatuto. Bem assim, Elder Soares alegou que o CONADE e a
CORDE não possuem conhecimento técnico-científico para discorrer
sobre a visão monocular e, por isso, não haveria justificativa
para a frase da Dra. Izabel Maior, no dia do lançamento deste
Programa, nos termos: “Uma pessoa com visão monocular, por
exemplo, não tem a mesma limitação e restrição de participação
social que uma pessoa cega”. O integrante da ABDPVM finalizou
afirmando que consta na Ata da 50ª Reunião do CONADE, 13
e 14 de fevereiro de 2007, citação em que o órgão admite
não deter conhecimento técnico-científico para dar um parecer sobre a visão monocular, em processo
que tramita no Conselho há mais de 2(dois) anos. E se a CORDE
se ampara no CONADE, por conseqüência, não se ampara em nada,
pois o CONADE não entende de visão monocular.
Não houve mais resistência da Dra.
Izabel Maior.
Prosseguindo, a Conselheira do CONADE,
Regina Atalla, representando a Secretária de Justiça Marília
Muricy, pediu a palavra e sustentou em nome próprio, deixando
claro que não falaria pelo CONADE, mas que ela entende ser
a visão monocular uma deficiência visual, devendo ser amparada
pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, devido às restrições
sociais e profissionais a que são submetidas as pessoas com
visão monocular.
Elder Soares continuou descrevendo
as restrições profissionais das pessoas com visão monocular,
tratando da dupla discriminação em concursos públicos, onde
estas pessoas são reprovadas por conta da deficiência monocular,
mesmo concorrendo pela lista ampla. Logicamente, expressando
a incoerência de a visão monocular ser considerada deficiência
apenas para prejuízos ao cidadão e nunca para benefícios
e proteção Estatal. Vários exemplos foram citados, como o
caso dos concursos públicos onde um cadeirante (pessoa com
deficiência física) pode prestar o certame tanto pela lista
ampla, como pela de deficientes. No entanto, a pessoa com
visão monocular não poderia em nenhuma das listas. Citou-se
o caso do Concurso Público da Agência de Defesa e Inspeção
Agropecuária de Alagoas (ADEAL) onde há exigência de carteira
de habilitação “B” para todos os cargos (médico veterinário,
administrador, agente administrativo, etc.) – devido à constante
atividade de inspeção realizada pela Agência – tendo o Edital
previsto vagas para pessoas com deficiência, pois o cadeirante pode usar carros adaptados, entretanto
a pessoa com visão monocular é proibida de exercer qualquer
atividade remunerada, conforme Resolução nº. 80/1998 do Conselho
Nacional de Trânsito (CONTRAN). Então, não poderia prestar
o concurso.
Já no certame da Polícia Rodoviária
Federal (PRF) ambos, cadeirante e monocular, são proibidos
de concorrer devido às deficiências física e visual, respectivamente.
Há previsão expressa no Edital vedando a participação de
pessoas que enxerguem menos de 50%(cinqüenta por cento) em
qualquer dos olhos, quiçá de quem tenha apenas 1(um) um olho.
E foi questionado por Elder Soares
o motivo de a visão monocular não ser uma deficiência, se
há vários casos onde a discriminação e as vedações profissionais
e sociais são maiores em pessoas com essa deficiência que
em outras “reconhecidamente deficientes” como o cadeirante.
Nos exemplos dados, temos 2(dois) concursos públicos, onde
o monocular não pode competir, mas em um deles o cadeirante
pode, inclusive, pela reserva de vagas. E quem, então, estaria
com problemas de inserção no mercado de trabalho? O cadeirante
ou o monocular? Perguntou o integrante da ABDPVM.
Nesse momento, o Senador da República
Flávio Arns, Relator do Projeto de Lei do Estatuto da Pessoa
com Deficiência no Senado Federal, pediu a palavra e sustentou
que as pessoas com visão monocular são sim discriminadas
e devem receber a proteção do Estatuto. Discorreu sobre a
visão monocular e vedações profissionais, além da dupla discriminação.
Fez questão de afirmar que o Estatuto prevê essa deficiência,
leu o texto do projeto e, posteriormente, citou que a inclusão
da visão monocular no Estatuto é uma questão de honra e não
há quem o faça mudar de opinião ou retirar esta deficiência
do texto, pois o Poder Judiciário já reconhece essa deficiência
e cumpre ao Poder Legislativo se pautar da mesma forma.
Aproveitando o ensejo, a Promotora
de Justiça Silvana Almeida, organizadora do evento, e a Coordenadora
do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça
da Cidadania (CAOCI), Procuradora de Justiça Marta Karaoglan,
defenderam a inclusão da visão monocular como deficiência,
bem como a luta incondicional da ABDPVM em prol dessa questão,
tida por elas como fundamental ante as constatações apresentadas
no evento.
Não houve manifestação do Relator
do Projeto de Lei na Câmara dos Deputados, Deputado Federal
Celso Russomano, pois este já havia afirmado ser favorável
à inclusão da visão monocular no Estatuto durante o evento.
Por fim, Elder Soares agradeceu a
oportunidade e lamentou a ausência de entidades nordestinas
no evento ante a pouca divulgação, citando os trabalhos de
Grupos de Discussão sobre o texto do Estatuto, que visam
ao aprimoramento e à aceleração da votação.
Encerradas as atividades da manhã,
foram entregues vários memoriais aos palestrantes e convidados
do evento, momento em que se tentou contato com a Dra. Izabel
Maior, mas esta já havia saído do auditório e não mais foi
encontrada. Entidades, Associações de Deficientes Físicos,
Cegos, Surdos, Albinos, Autistas, Promotores e Procuradores
de Justiça, Secretários Municiais de Assistência Social fizeram
questão de nos procurar para parabenizar pela luta, firmar
parcerias e manter contatos.
Pelo Senador da República Flávio Arns
foi dito que agilizará ao máximo a aprovação do Projeto de
Lei nº. 339/2007, de autoria do Senador da República Papaleo
Paes, que também prevê a visão monocular como deficiência.
Pelo Ministro Paulo de Tarso Vannuchi,
da Secretaria Especial de Direitos Humanos, foi dito que
espera a presença da ABDPVM junto à CORDE, determinando que
a Dra. Izabel Maior nos receba para debater o assunto da
visão monocular, o que já está sendo providenciado pela Associação.
Um almoço num restaurante, vulgo,
bar da esquina. Muitas reclamações de pessoas com deficiência,
em especial cadeirantes, sobre a falta de acessibilidade
nas ruas próximas ao MP/BA.
No período da tarde mais palestras,
mesmo sem a participação da maioria dos convidados do período
da manhã. Palestra sobre “O Papel da Imprensa na Defesa dos
Direitos Fundamentais do Cidadão”, proferida pelo professor
Doutor em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA),
Emiliano José. Houve citação do próprio palestrante quanto
à atuação da ABDPVM na denúncia ao Ministério Público Federal
(MPF) acerca da propaganda discriminatória do Big Brother
Brasil 7(BBB7), momento em que leu publicamente um dos nossos
panfletos.
Houve pronunciamento de indignação
do representante do IBDD – Instituto Brasileiro dos Direitos
da Pessoa com Deficiência, Paulo Beck, pois este queria ter
falado pela manhã e, segundo ele, o direcionamento de suas
palavras seria aos convidados da manhã. Citou a posição contrária
do IBDD ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, defendendo
a Constituição Federal e demais leis como suficientes, somente
faltando o devido cumprimento destas. Em seguida, retirou-se
do local, a nosso ver, cometendo as mesmas inadequações suscitadas
quanto aos convidados da manhã. Este representante do IBDD,
em que pese ter todo o nosso respeito, não tem o direito
de reclamar dos convidados, pois fez igual, sob o mesmo argumento
destes. Se o representante do IBDD sabia que os debates seriam
pela tarde, por qual motivo marcou as passagens aéreas para
este período? De se destacar que o integrante da ABDPVM marcou
as passagens para madrugada, sendo o primeiro a chegar e
o último a sair do evento.
Em seguida, o Procurador do Ministério
Público do Trabalho, Manoel Jorge e Silva Neto, falou sobre
“Proteção Constitucional à Pessoa com Deficiência”; e o Desembargador
Antônio Pessoa Cardoso, do Tribunal de Justiça da Bahia,
enfocou o tema “Concessão de Tutela Antecipada nas Ações
Civis Públicas com o Poder Público no Pólo Passivo”. Mais
uma vez, foi pedida a palavra pelo integrante Elder Soares,
momento em que defendeu novamente a visão monocular e mostrou
o trabalho desenvolvido pelo Setor Jurídico da ABDPVM em
prol de uma moralização dos concursos públicos no País.
A última palestra do evento, a cargo
do Promotor de Justiça da Bahia e mestre em Ciências da Família
na Sociedade, Cristiano Chaves de Farias, abordou “A importância
das Ações Civis Públicas para Dinamizar a Prestação Jurisdicional”.
Por fim, houve confraternização e
um coquetel em que os integrantes da ABDPVM não participaram,
pois estavam conversando e divulgando a causa entre os presentes,
trocando informações, telefones, e-mails e acertando detalhes
para o evento da ONEDEF – Organização Nacional de Entidades
de Deficientes Físicos, membro do CONADE, que será realizado
nos dias 6 a 9 de dezembro de 2007, no Hotel Matsubara, em
Maceió/AL. Vale citar, que haverá a participação do integrante
Elder Soares:
Dia 07/12 (Sexta-feira)
08h00 Eixo
I: Barreiras Arquitetônicas
Painel 1: Acessibilidade em Órgãos Públicos e Espaços
de Uso Público: Desenho Universal
Painelista: Elder Soares da Silva - Associação Brasileira
dos Deficientes Portadores de Visão Monocular – ABDPVM
Bem assim, no dia 08/12(sábado) também
haverá uma palestra do integrante da ABDPVM, no mesmo evento,
sobre as diversas deficiências que ainda não são amparadas
pela legislação, a exemplo da visão monocular, autismo, obesidade
mórbida, entre outras.
O evento no MP/BA terminou às 20h00min,
sendo os integrantes da ABDPVM os últimos a saírem por solicitação
do porteiro e segurança do referido órgão. E haja vontade!
Isto posto, estão registradas, em
síntese, as principais considerações sobre o evento, na esperança
de que possamos ter outras participações em todo o Brasil,
com os diversos integrantes da ABDPVM, mas já amparados pelo
Estatuto da Pessoa com Deficiência. Émerson Oliveira, integrante
da ABDPVM em Salvador/BA, tem todo o nosso apoio e admiração,
manejou muito bem a parte operacional da Ação, diálogos,
distribuição de material. Foi perfeito e tirou quase todas
as fotos que estão no site da Associação.
Nunca é demasiado lembrar: A luta
continua.
OBS:. Elder Soares – O vôo atrasou
e dormi uma parte da noite no aeroporto. E também não me
avisaram (Leia-se: Coutinho e Pedro) que o avião “estabilizava”.
Pouco tempo após a decolagem, achei que o avião tinha quebrado.
Uma dessas, só pela causa, que é muito justa por sinal (risos).